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日志


2007/6/30

O teu livro

 
Abri o meu peito para que visses
Bem de perto o que se passava
Para que lesses sílaba a sílaba
O que  minha  alma te ditava.
Sou o teu livro,
Página a página podes ler-me
Podes folhear-me como entederes
Saborerar lentamente, docemente,
Sem o sabor perceberes
Sem provocações, sem responderes
Página a página podes ler-me.
Serei o teu livro aberto
Sem páginas numeradas
De texto incerto mas dedicado
De modo sempre correcto
Podes ler-me quando quiseres
Sou o teu texto esperado
Nada em mim mudou
Serei sempre um livro aberto
Não preciso ser estudado 
Lê-me de qualquer modo
Do qualquer ângulo que te aprover
Lê-me com carinho, com ternura
Serei homem e mulher
Serei sempre o teu livro
Serei sempre o que acontecer
 
Hermes
 
2007/6/27

Ontem falei contigo

 
 
Sem saber como e sem nada dizer
Encontrei-te por acaso
Numa esquina deste mundo
Deste pequeno espaço
Neste unviverso cada vez mais nefasto
Olhámo-nos sem nos vermos
Falámo-nos  sem nos ouvirmos
Combinámos sem nos acertarmos
Aceitámos sem  aprovarmos
Encantámo-nos,
Combinámos encontrarmo-nos aqui
Esperei e não te vi
Sabes que falo de ti
Mas de ti  nada sei
Simplesmente um nome
Suave como uma pluma
Esperando, fico inquieto  recordando
A tristeza vai- se esvaindo
Dum sonho vou acordando
Afinal,  ontem falei contigo !
 
Hermes
 
2007/6/21

Até quando !

 
Naquela tarde ao amanhacer
Olhando para o infinito
Vislumbrei o que aparecia do nada
Aquela nuvem só e clara
Trazia consigo uma trovoda
Encimada pelo raios de um dia
Onde o luar nos acalentava
Onde o silêncio era surdo
Onde as palavras se ouviam
Ao longe 
O coração quase parado de melancolia
Batia aceleradamente
Como  em noite de nostalgia
O frio na porta batia
Chamando pelo calor de verão
Em que nem o calor do corpo
O amor do corpo nu
Envolto numa despida multidão
Até quando,
Até quando dizias tu !
 
 
2007/6/19

Quando ninguém olhava

 
 
 
Passava os dias iluminado por uma janela
Esperando  os dias seguintes
Escoando memórias inquietas
Esvaziando contornos de feridas
Abertas, sem horas nem promessas
No sossego
Quando ninguém estava a olhar.
 
Custava viver emparedado no teu silêncio
Devassado de ambições de chama
De olhos abertos, adormecidos sem lágrimas
COm as mãs mordidas, em sangue
Presas violentamente na parede.
 
Percorrer a vida no meu rasto
Pisando as minhas pegadas
Respirando os mesmos minutos
Sem trabalhos de monta
Que tudo o mais daria muito trabalho
Como falar
Como sonhar
Como inventar
Como viver com pressa de viver.
 
( in- Furor das noites cheias - de: Daniel Costa-Lourenço)
2007/6/9

Ao Mundo

 
  
Um modo estranho de escrever, que não é o meu.
Não tem palavras para dizer,
Apenas olhar, para mim, por ti.
Só eu, que não vejo o que queres saber,
Estranho aos teus olhos
Esta maneira de pensar, de te apontar,
Incomodado, pelo que me é indiferente.
E tu és, por vezes, muitas vezes , quase sempre,
Inexistente,
Demasiado grande para sentir,
Como meu e eu.
Nada mais és do que aquilo que não posso ter,
Um modo estranho de dizer
Que não me conheces...